A realidade da ficção na literatura hispano-americana (XX, XXI)

12 horas/ 6 sessões:

quinta-feira -13, 20, 27 de Maio;

quarta-feira – 2, 9, 16 de Junho

FCSH, Av. de Berna

Horario de Realização:

5ª feiras – 18h-20h / 4ª feiras – 18h-20h

Local de realização:

5ª feiras – Sala T10 / 4ª feiras – Sala T13

Ricardo Piglia, no seu libro, Crítica y ficción, sublinha: “[…] toda a crítica se escreve desde um lugar preciso e desde uma posição concreta.” Atentos ao seu aviso e retomando em eco alguns conceitos (diferença, repetição, devir, identidade, virtual, etc.) da filosofia continental, tentaremos resgatar alguns problemas de actualidade que atravessam a realidade da ficção na literatura hispano-americana dos séculos XX e XXI. Vamos ensaiar várias leituras desde o lugar mais erudito da nossa ignorância sobre: Macedonio Fernanández, Ramón Gómez de la Serna, José Gorostiza, Jorge Cuesta, Xavier Villaurrutia, Juan Rulfo, Witold Gombrowicz, Manuel Puig, María Zambrano, Gabriela Wiener.

Organização:

Professora Doutora Silvina Rodrigues Lopes, Doutora Golgona Anghel

Inscrições: 10(mínimo), 50 (máximo)

60 euros (geral), 25 euros (estudantes da FCSH)


PROGRAMA


María del Carmen Rodríguez Martín, 13 de Maio

“O sonho de/da realidade trocado por uma estilográfica: Macedonio Fernández y Ramón Gómez de la Serna.”

O objectivo do seminário será realizar uma aproximação aos conceitos de realidade e ficção na produção novelesca de ambos os autores, directamente relacionados com a sua particular prática do humor como destrutor da razão, com a sua teoria sobre as vinculações entre vida e romance e a vitória sobre a morte através da literatura.

A nossa proposta será levada a cabo tendo como referente a figura, a prática e a sua situação dentro do campo intelectual do momento, dando uma especial importância quer às relações entre centro e periferia, quer às suas ligações com o cânone, as vanguardas, o debate sobre os géneros e as afinidades com o transatlântico.

Doutora contratada no âmbito do programa Juan de la Cierva sob a direcção da Dra. Pura Fernández no Instituto de Lengua, Literatura y Antropología del Centro de Ciencias Humanas y Sociales do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC).

Bolseira de Pós-doutoramento MEC/Fulbright na Universidad de Buenos Aires.

Doutora em Filosofia e Mestre em Estudos Latino-americanos. Universidad de Salamanca.

Docente de doutoramento, pós-graduação e graduação nas universidades públicas e privadas de México, Argentina e Espanha onde também publicou artigos de investigação.


Luís de Oliveira e Silva, 20 de Maio

“Língua e Império”

Do discurso colonial, propugnado por Antonio Nebrija e assumido por «a cidade letrada», se chegará à semiosis colonial. A literatura latino-americana esforçar-se-á na problemática de aquisição de uma identidade literária, quase sempre comprometida pela importação de paradigmas europeus, diferente da da “pátria mãe”, até que o “boom” dos 60 venha impor, em toda a sua plenitude, o modelo hispano-americano.

Professor na FCSH da Universidade Nova de Lisboa.


Marina Lopez, 27 de Maio

“Silêncio e realidade: Juan Rulfo e Hannah Arendt”

Um dos eixos que atravessam o romance, Pedro Páramo, de Juan Rulfo é a irmandade que existe entre o silêncio e a realidade dos seus conflitos e das suas harmonias, tanto no mundo dos vivos como no mundo dos mortos. Dois reinos a partir dos quais se compreende a condição humana para além dos limites de Comala, o universo da morte pedroparamiana.

Mestre em filosofia da cultura pela Universidad Michoacana de San Nicolás de Hidalgo, Morelia (México). Actualmente escreve a sua tese de doutoramento sobre Hannah Arendt na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.


Rita Benis, 2 de Junho

“María Zambrano e a Palavra de regresso”

Os textos de María Zambrano reflectem uma extraordinária reciprocidade entre o ler e o escrever, entre a filosofia e a poesia, a realidade e a ficção. Através dos seus escritos percorremos a intensa busca de um encontro: de um fazer coincidir a forma e o sentido, o significante e o significado, apontando sempre a essa misteriosa palavra resgatada a um silêncio remoto.

Mestre em Estudos Comparatistas pela Universidade de Lisboa. Dentro do universo dos Estudos Comparatistas, a sua investigação centra-se nos Estudos Interartes, Estudos Fílmicos e Estudos Literários. Actualmente escreve a sua tese de doutoramento sobre as ligações entre o cinema e a literatura, no departamento de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia.


Pauly Ellen Bothe, 9 de Junho

“O tema da morte em três poetas mexicanos de princípios do século XX:

José Gorostiza, Xavier Villaurrutia y Jorge Cuesta.”

José Gorostiza, Jorge Cuesta e Xavier Villaurrutia são três poetas mexicanos da primeira metade do século XX no México. Pertenceram a um grupo de poetas que foi identificado com o nome de “Contemporâneos” em honra da revista de maior vida que publicaram, embora na realidade esse “grupo” nunca tenha existido como tal.

O tema da morte é uma constante no imaginário mexicano e está muito presente nas suas manifestações artísticas de todos os tempos. Por exemplo, este tema aparece de maneira particular, na pintura de Diego Rivera e nas gravuras de José Guadalupe Posada. Com a intenção de entender o sentido especial com que é abordado este tema na poesia de princípios do século XX no México, vamos estudar neste seminário alguns exemplos da obra de José Gorostiza, Jorge Cuesta e Xavier Villaurrutia.

Doutora em Literatura pela Universidad Nacional Autónoma de México. Realizou o seu mestrado em Literatura Comparada na Universidade de Lisboa e a licenciatura em Letras Espanholas na Universidad de Guanajuato, no México. Actualmente tem uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia, FCT, para desenvolver uma investigação de pós-doutoramento no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.


Golgona Anghel, 16 de Junho

“O lugar da ausência: Witold Gombrowicz (Pornografía, 1960), Manuel Puig (Boquitas pintadas, 1969, El beso de la mujer araña, 1976, Pubis angelical, 1979), Gabriela Wiener (Sexografías, 2008)”

Apesar da distância temporal que separa os três autores propostos, os seus problemas actualizam questões análogas que alimentam a tensão da relação entre “realidade” e “ficção”. Os seus romances encontram-se continuamente atravessados por uma “doença” comum: a utopia popular que disputa com a “alta cultura” o lugar do “mito”, aí onde a ficção supera o milagre e os “simulacros” ocupam o lugar do vazio.

Doutora em Literatura Portuguesa Contemporânea pela Universidade de Lisboa e Licenciada em Estudos Portugueses e Espanhóis pela mesma Universidade. Desenvolve a sua actividade de investigação em Estudos Literários, na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito de um projecto de pós-doutoramento apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.