Escrever na língua do outro

Posted: September 19, 2010 in Uncategorized

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA

PROGRAMA DE DOUTORAMENTO EM ESTUDOS PORTUGUESES

e EM LÍNGUAS, LITERATURAS E CULTURAS

Jornada: “Escrever na língua do outro”

28 de Setembro 2010

Edifício ID, sala multiusos 3

“Les beaux livres sont écrits dans une sorte de langue étrangère. »

Proust, Contre Sainte-Beuve

Quando falamos de bilinguismo ou multilinguismo em literatura estamos perante uma situação linguística, uma situação prática e uma situação teórica. Deleuze reconhece isto e interessa-se muito pelos escritores bilingues: Beckett, irlandês, escrevia em francês; Kafka, judeu de Praga, escrevia na língua do império, o alemão; Gherasim Luca, romeno exilado em Paris, falava “apátrida” na sua procura incessante duma nova língua dentro do francês. Considerando isto tudo, poderíamos julgar que o bilinguismo fosse a condição de possibilidade de uma “literatura menor”.

Contudo, num texto sobre Carmelo Bene, de 1979, «manifeste de moins», Deleuze esclarece que o bilinguismo nos «coloca apenas em vias de» (Superpositions, p. 107) uma expressão literária menor. A função heurística do bilinguismo ganha, portanto, mais pujança se a entendemos como uma força de problematização.

Por um lado, “escrever na língua do outro” não é apenas uma questão de “desterritorialização”, é também criação dentro da língua, é um assunto de estilo, é pecar por excesso de realidade, é sentir com a imaginação, é, em definitivo, escrever para/por um povo que falta.

Por outro lado, sob o signo de Monolinguisme de l’autre (Derrida), as nossas preocupações almejam (des)construir algumas das ilusões que envolvem o elogio da língua materna, a sua relação com a morada, a hospitalidade, o exílio.

Programa

Manhã, 10h30 –  abertura

Prof. Doutor Frédéric Worms (Universidade Lille 3; ENS, Paris),

« L’écriture survivante : réflexions à partir de deux livres posthumes sur le deuil, Vivant jusqu’à la mort (Paul Ricoeur, 2007) et Journal de deuil (Roland Barthes, 2009) »

Prof. Doutora Silvina Rodrigues Lopes (FCSH-UNL),

«O futuro anterior da escrita: a partir da leitura de Le ressassement éternel e Après coup de Maurice Blanchot»

Tarde, 15h

Prof. Doutora Fernanda Bernardo (Universidade de Coimbra),

«Ecografias: re-invenções e sobre-vivência»

Prof. Doutor Marc Crépon (ENS, Paris),

«Poétique de la singularité»

Café, 16h30

Doutora Golgona Anghel (FCSH-UNL),

«O lugar da ausência: W. Gombrowicz e M. Puig»

Prof. Doutor José Paulo Pereira (Universidade de Algarve),

«O animal ferido, na contra-fábula da poesia»

Organização : Professora Dra. Silvina Rodrigues Lopes, Dra. Golgona Anghel

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