Objectivos

Os objectivos do GILF surgem sob o imperativo da necessidade na medida em que atendem a três funções principais:

1)      a função polémica,

2)      a função reparadora,

3)      a função criativa.

A função polémica prende-se com o facto de termos tomado consciência da perpetuação duma lacuna institucional no âmbito da investigação em literatura e filosofia. Isto é, apesar de existirem vários centros de investigação a nível nacional especializados quer em filosofia quer em estudos literários, não há nenhum centro de investigação que tenha como objectivo privilegiar o cruzamento interdisciplinar entre as duas áreas. Embora haja algumas teses em curso assim como doutores que tenham defendido recentemente teses que se reclamam desta linhagem especulativa, não há nenhum espaço que legitime plenamente a continuação da investigação no mesmo sentido. Excepto exemplos pontuais, em Portugal o papel da literatura está a ser desvalorizado, se não completamente ignorado nos departamentos e centros de filosofia assim como a filosofia “continental” é quase sempre ignorada nos departamentos de estudos literários. Isso não acontece noutros países: em França, assim como na Bélgica, Alemanha, Inglaterra ou Espanha, há Universidades e Centros de Investigação que consagram aos estudos sobre literatura e filosofia não só um estatuto de grande interesse e um espaço de investigação adequado mas também a categoria de actualidade, como o mostram as dezenas de publicações sobre essa área nos anos mais recentes.

Por outro lado, a experiência da descontinuidade que há entre o pensamento e a reflexão leva-nos a momentos de cegueira e de ambiguidade conceptual. Propomo-nos, por isso mesmo, – e esta seria a função reparadora – ensaiar, em vários territórios e desde perspectivas múltiplas, esse movimento através do qual a literatura se verá exposta à especulação não só para deixar entrever a sua arquitectura movediça mas também para fazer vacilar o próprio pensamento.

A literatura não serve para nomear o mundo, o que já está feito – pela linguagem comum – mas para nomear “uma espécie de duplo do mundo capaz de recolher a violência e o excesso” (Deleuze) e isto com o fim de relançar as forças de vida e de devir no seu poder de criação e de invenção. Escrever é uma questão de devir, por isso a literatura não pertence a um tempo encerrado, está sempre em curso de realização, transbordando “qualquer matéria vivível ou vivida”. A literatura e a filosofia vêem de uma única e mesma actividade, pensar, e as duas inventam novas possibilidades de vida: contra a imitação reprodutiva da vida, a produção do novo. É esta a meta de qualquer grande escritor ou grande filósofo. É esta a nossa meta também, a criação.

É sob este signo vital e vitalista que pensamos reunir as forças que atravessam a literatura e a filosofia para promover projectos colectivos, ciclos de conferências, colóquios, seminários, cursos livres, tudo isto contando com a constituição de novas equipas de investigação, com o entusiasmo e o improvável duma comunidade por vir.

Nos próximos três anos, pretendemos portanto:

a)      Desenvolver projectos de investigação na área da  Literatura e Filosofia.

b)     Promover a participação-formação de jovens investigadores. Neste sentido, vamos organizar jornadas de estudo para estudantes de mestrado e doutoramento (apresentação pública de trabalhos em curso, exposição de problemas, orientação de teses, 2 vezes por semestre).

c)      Realizar Workshops de aprofundamento de diversos temas, visando o intercâmbio com outros investigadores nacionais e estrangeiros (3 por semestre).

d)     Realizar seminários (2 por semestre, com professores convidados) e/ou cursos livres (2 por semestre).

e)      Realizar colóquios internacionais (1 a 2 por ano).

f)       Traduzir e publicar textos “clássicos” sobre a relação entre a literatura e a filosofia (em antologia ou revista de especialidade).

g)      Publicar textos das conferências e colóquios realizados.

h)      Publicar uma revista com comissão científica internacional (1 número por ano).

i)        Organizar uma biblioteca específica